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quarta-feira, 18 de junho de 2008

A história (é) recuperada

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Lãs fotos recuperadas son um pedazo de la vida del país que coincide com mi propia vida
Aurélio, el fotógrafo


Paredes podem se tornar testemunhas vivas de uma época, quem diria?
A historia da humanidade é manchada por eventos cruéis e traumáticos. Muitos ficam apenas gravados no fundo da alma, da psique, em cicatrizes invisíveis, que só apertam e doem para aqueles que as carregam. Alguns as mostram no corpo físico também, como sinais que o tempo não conseguirá apagar. Mas, às vezes, o acaso, se é que ele existe, pois já dizia Carl Jung, o grande psiquiatra austríaco, - “nada é por acaso” -, se encarrega de dar uma “mãozinha”, na preservação da memória histórica.
Em palestra recente na Ulbra, o fotógrafo uruguaio, Aurélio Gonzáles, com seus cabelos brancos como a neve e a expressão empolgada de um adolescente, compartilhou um pouco da sua vivência da época da ditadura no país vizinho, Uruguai. Com sua câmera, registrou boa parte dos acontecimentos destes negros dias, e como todos da imprensa, foi perseguido. Em uma de suas fotos, registra a polícia atirando nele, errando o alvo. Como num filme de ação e muita adrenalina, ele consegue driblar o cerco e se refugiar num prédio, onde esconde os negativos. Depois consegue fugir. Com o auxílio de uma amiga, se disfarça de pintor e consegue chegar na embaixada do México, onde passa dois dias. Posteriormente o embaixador o leva à sua residência, onde já havia um grupo de umas quarenta pessoas refugiadas. Em poucos dias, a Embaixada freta um avião, e via Panamá, chega ao México. Isso foi em 1973, quando era fotógrafo do jornal El Popular. Ficou exilado também na Espanha e na Holanda, sempre atuando de longe pela causa do povo uruguaio que adotou como sua pátria, pois nasceu no Marrocos espanhol.
Retorna ao Uruguai em 1985. Quem sabe ainda encontraria fragmentos do passado que deixara ao ir para o exílio?!
Levaria 20 anos!
Em janeiro de 2006, após uma longa e angustiosa busca, sem nunca perder a esperança de encontrar o material escondido, são encontrados os 60.000 negativos em latas enferrujadas. O prédio, em que Aurélio escondera o material fotografado, passara por reformas. Possivelmente, os responsáveis pela mesma, ao deparar-se com as latas, as jogaram num fosso, um buraco de difícil acesso, de onde foram, finalmente, resgatadas boa parte da história da ditadura militar do Uruguai. Segundo as palavras do fotógrafo, de sua vida também.


Texto/Foto: Ethel Peisker

1 comentários:

Unknown disse...

Muito legal essa matéria sobre o fotógrafo uruguaio...Parabéns Ethel!!!